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8.8.17

Zerado


Zerar é quando tudo o que passou não importa mais ou não faz diferença...

2017

21.7.17

Retirada.



Não, my love
Não vou deletar você dessa vez
Parar de te seguir no Face
Arrancar você dos meus contatos
Zunir seu avatar do meu WhatsApp
Mudar de novo a minha playlist

Não haverá mais longas mensagens ou emails
Idas e vindas cheias de tesão turbinado
Expectativas destruídas e reconstruídas
Para um inevitável e previsível desabamento
Meus textos de tão repetidos até viraram plágio
Agora meu status com você é acesso negado

Não vou mais interagir ou te responder
Mas pode assistir minha vida via ciberespaço
Saber on time pelo seu tablet meus novos fatos
Ver que fiquei bem melhor sem as suas dúvidas
E que finalmente conseguiu a minha certeza
De que não quero mais você.

2017

20.7.17

Celebridades Domésticas



Em dias onde todo mundo se acha a celebridade do seu pequeno quadrado, é bom tomar cuidado em acreditar no que parece intenções e sentimentos de verdade, mas que não passa de um exercício de vaidade; um novo talento contemporâneo de dissimular, criar máscaras, camadas, apenas para conseguir o que se quer: atenção imediata e superficial!


2017

14.7.17

Fernandos


Volto do supermercadinho da esquina, onde fui comprar uma Coca-Cola para fazer companhia ao Rum que agora não sai da minha dispensa e dos meus fins de noite ...

A vizinha do prédio em frente está alterada ao telefone; sua voz forte e revoltada corta a noite, atravessa a rua e chama-me a atenção:

— Fernando, quando você me ver na rua finge que não me conhece. Você não é homem! Você não é homem! Chega!

É sexta-feira, dia nacional dos encontros e, principalmente, pelo que me parece ultimamente, dos desencontros.

As frases repetidas e decididas dela, meio novela mexicana, me arrancam sorrisos, porque chega a ser engraçado de tão patético. No entanto, a sinceridade daquelas palavras reverberou em mim.

Porque é isso. Estamos na era do posso tudo. Todo mundo está disponível. O mundo agora é um infindável cardápio online e offline de pessoas oferecidas como apetitosos pratos em sites, nas redes sociais, nos bares, nas esquinas.

Mulheres paqueram sem dó homens que são declaradamente comprometidos. Homens caçam novidades sem se preocuparem se elas a outros pertencem; sem lembrarem, muitas vezes, da mulher que já existe em sua vida; e sem se perguntarem se querem realmente o que buscam. Simplesmente ficou fácil.

Não, não tem nada de ousadia, de transgressão ou de coragem. É uma época de covardes. Ninguém quer nada direito ou inteiro; todo mundo quer tudo e todos, sem se preocupar minimamente com o que causa, com o que provoca ou com o que rompe.

É a era do "que se dane", desde que os desejos imediatos sejam sanados; a era dos comprometidos infiéis, dos descomprometidos oficiais e, sobretudo, dos irresponsáveis emocionais; gente que mexe com os sentimentos de quem está quieto por puro entretenimento. Quanta superficialidade. Quem está interessado em descer ao andar de baixo?

E todos incrivelmente reclamam, mas ninguém quer nada, inclusive quem diz que sente falta de alguma coisa. E assim todo mundo tem todos e perde tudo; perde o melhor, a intimidade, os diferentes tons da exclusividade, os segredos, as cumplicidades, o sabor único das peculiaridades.

Globalização, informação, liberdade, acesso; limites ampliados para homens e mulheres optarem por tornarem-se clones. Blade Runner!

— Você não é homem! 

A voz da vizinha ecoa, mas me atenho à minha Coca-Cola, ao meu Rum, ao meu break. Ando particularmente cansada desse teatro de cadeiras vazias. Coloco a minha playlist, refeita para não evocar o meu próprio "Fernando".

Na verdade, as pessoas têm que reaprender a serem pessoas! Por isso, por hora, ando preferindo a minha própria companhia, com um certo teor alcoólico, reconheço. Mas não para fugir, me alienar, ou me conformar; apenas para relaxar e dar um tempo da bagunça emocional vigente.

Mas ainda espero surpresas,  não por otimismo ou romantismo, por humanidade; por acreditar que somos melhores do que isso e que, eventualmente, encontraremos alguém improvável, alguém fora desse mainstream de tolos.

 2017

10.7.17

Contramão



Ela está chapada
As últimas gotas de Rum escorrem da garrafa
Be a man! Deep inside.
Não, não há palavras em português
Ela quer quebrar as referências
A saudade transborda...Não há o que fazer
Só fica uma certeza clara, gritante, chapante
De que não se deve brincar com fogo
Se a intenção não é arder...nunca.

Seja por algumas horas
Um mero dia
Algumas semanas
Uns meses errantes
Um ano exasperante
You're just a fucking ghost!
Permita-se. Viva...

Pode ser absolutamente libertador
Perceber que não existem limites
There are fears!
E que as regras não se aplicam a tudo...
Mas...também é importante perceber
Que não se deve chegar tão perto
Do que não consegue reter.

2017